Uma linha de cuidado, no contexto da saúde, refere-se a um conjunto estruturado de ações e serviços organizados para garantir que um indivíduo receba o cuidado necessário para uma condição de saúde específica, desde a prevenção até a reabilitação, de forma contínua e integrada.
Sinônimo de itinerário terapêutico, é o principal pressuposto metodológico para o exercício e garantia da integralidade, princípio doutrinário do SUS, percurso que deve ser divulgado e efetivamente cumprido dentro do território.
Esta linha é exclusivamente aplicada a todos os casos confirmados laboratorialmente de sífilis adquirida, sífilis congênita, sífilis gestacional, criança exposta à sífilis e neurossífilis, com diagnóstico positivo de testes específicos e a clínica do paciente compatível.
A gestão de todo o cuidado com os usuários com diagnóstico confirmado para sífilis é de responsabilidade da Atenção Primária em Saúde (APS), porta de entrada prioritária do SUS e ordenadora de todo o cuidado. Cabe à APS o diagnóstico, tratamento e toda a ativação dos demais níveis de atenção conforme necessidade e em atenção aos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas aprovados pelo Ministério da Saúde.
A partir da confirmação do diagnóstico, a notificação compulsória no SINAN é obrigatória para todos os casos de sífilis adquirida, sífilis em gestante, sífilis congênita e neurossífilis, conforme preconizado na Guia de Vigilância em Saúde.
A sífilis apresenta evolução em fases clínicas distintas, com manifestações variadas conforme o estágio da infecção.
Critérios padronizados para classificação e notificação dos casos de sífilis conforme o PCDT 2022.
Assintomático + TT reagente + TNT reagente + Sem registro de tratamento prévio
Situação 2Sintomático + Teste Reagente (TT e/ou TNT)
Assintomática + TT reagente OU TNT reagente + sem registro de tratamento prévio
Situação 2Sintomática + TT reagente OU TNT reagente
Situação 3Independente de sintomatologia + TT reagente + TNT reagente + sem registro de tratamento prévio
Todo RN, natimorto ou aborto de mulher com sífilis não tratada ou tratada de forma não adequada.
Situação 2Toda criança <13 anos com pelo menos uma das situações:
Evidência microbiológica de infecção pelo Treponema pallidum em amostra de secreção nasal ou lesão cutânea, biópsia ou necropsia de criança, aborto ou natimorto. A detecção do T. pallidum se dá por meio de exames diretos por microscopia (de campo escuro ou com material corado)
Diagnóstico por combinação de:
Punção lombar indicada quando:
Métodos imunológicos para confirmação da infecção e monitoramento terapêutico.
Identificam anticorpos contra Treponema pallidum. São os primeiros a reagir após a infecção. Aproximadamente 85% dos pacientes permanecem positivos para sempre. Confirmam o contato com o agente, mas não avaliam a atividade da doença nem a efetividade do tratamento.
Medem a quantidade de anticorpos (títulos), sendo fundamentais para saber se a infecção está ativa e se o tratamento está funcionando. Permitem monitorar a resposta terapêutica através da redução dos títulos. Podem apresentar o fenômeno da "prozona" (falso negativo em altos títulos).
Os testes rápidos são disponibilizados pelo Ministério da Saúde via SISLOGLab. Os testes não treponêmicos são de responsabilidade das Secretarias Municipais de Saúde.
A penicilina benzatina é a droga de escolha e única com eficácia documentada na gestação.
A penicilina benzatina é a droga de escolha para o tratamento de todas as formas de sífilis. É a única com eficácia documentada na gestação. Outras opções (doxiciclina, ceftriaxona) somente para não gestantes e com acompanhamento rigoroso.
Iniciar após somente um teste reagente nas seguintes situações:
• Gestantes | • Vítimas de violência sexual | • Pessoas com chance de perda de seguimento
• Sinais/sintomas de sífilis primária ou secundária | • Pessoas sem diagnóstico prévio
Não exclui a necessidade do segundo teste, monitoramento e tratamento das parcerias.
A penicilina benzatina necessária para o tratamento ambulatorial da sífilis é disponibilizada pelo Ministério da Saúde e distribuída através da Área Técnica Estadual de IST/HIV/AIDS/SÍFILIS E HEPATITES VIRAIS por meio de solicitação no sistema Hórus.
Em não gestantes, o intervalo entre as doses não deve ultrapassar 14 dias (caso ocorra, reiniciar o esquema).
Em gestantes, o intervalo entre as doses não deve ultrapassar NOVE dias (caso ocorra, reiniciar o esquema).
A APS é responsável pelo diagnóstico, tratamento e seguimento de todos os casos, ativando os demais níveis conforme necessidade.
Encaminhamento para maternidades de referência e/ou consultas de especialidades conforme indicação clínica.
Toda criança com diagnóstico confirmado de sífilis congênita passar por avaliação durante os 02 (dois) primeiros anos de vida, em rotinas semestrais, pelas seguintes especialidades: oftalmologista, otorrinolaringologista e neurologista.
Avaliações são recomendadas nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para detecção de futuras alterações oftalmológicas (coriorretinite, glaucoma, atrofia óptica, ceratite intersticial), audiológicas (perda auditiva sensorial) e neurológicas (atraso no desenvolvimento psicomotor).
Além disso, todas as crianças expostas e/ou confirmadas com sífilis congênita também devem ser monitoradas de forma compartilhada no mesmo período pela Atenção Primária em Saúde através das consultas regulares de puericultura e exames laboratoriais.
Avaliação semestral nos 2 primeiros anos
Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor
Avaliação audiológica e BERA
Repetir se 1º alterado
• Oftalmológico: procurar anomalias oftalmológicas: coriorretinite, glaucoma secundário, cicatriz córnea e atrofia óptica. A ceratite intersticial pode aparecer na faixa etária dos 2 aos 20 anos.
• Neurológico: avaliar o desenvolvimento neuropsicomotor.
• Audiológico: procurar anomalias auditivas. A perda auditiva sensorial pode ter ocorrência mais tardia, entre 10 e 40 anos de idade, por acometimento do 8º par craniano.
Na admissão hospitalar, avaliar:
Realizar testagem rápida para HIV, Sífilis e Hepatite B e C. Se diagnóstico positivo, avaliar tratamento no pré-natal e manejar conforme PCDT.
Realizar teste não treponêmico no sangue periférico, independentemente do histórico de tratamento da mãe.
O sangue de cordão umbilical NÃO deve ser utilizado, pois esse tipo de amostra contém uma mistura do sangue da criança com o materno e pode resultar em testes falso-reagentes.
A testagem simultânea da mãe e da criança, no pós-parto imediato, com o mesmo tipo de teste não treponêmico, configura o melhor cenário para a determinação do significado dos achados sorológicos da criança.
No teste não treponêmico, um título maior que o materno em pelo menos duas diluições (ex.: materno 1:4, RN maior ou igual a 1:16) é indicativo de infecção congênita. No entanto, a ausência desse achado não exclui a possibilidade do diagnóstico de SC.
Ressalta-se que o título do teste não treponêmico do recém-nascido igual ou inferior ao materno não exclui completamente a sífilis congênita, mesmo nas mães adequadamente tratadas. A decisão de investigar e tratar a criança não deve ser baseada apenas na definição de caso de notificação de sífilis congênita, mas também na avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial da infecção.
Realizar investigação laboratorial:
Após a alta hospitalar, encaminhar o binômio mãe-criança para a APS de referência.
Acesso regulado via Central de Regulação/SISREG para garantia da integralidade do cuidado.
O acesso às consultas especializadas e aos serviços de maior complexidade deve ser realizado de forma regulada através da Central de Regulação, utilizando o sistema SISREG.
Para gestantes com sífilis, o procedimento a ser solicitado é a "Consulta de Pré-Natal de Alto Risco", conforme fluxo regulatório estabelecido.
Fluxo assistencial para atendimento de pessoas privadas de liberdade com sífilis.
Fluxo de distribuição do medicamento condicionado às notificações semanais no SINAN.
A distribuição da penicilina benzatina é condicionada às notificações semanais no sistema SINAN. Mensalmente é realizado o levantamento de notificações para reposição dos estoques.
Base técnica e normativa da Linha de Cuidado.